sexta-feira, 17 de abril de 2009

BREVILÓQUIO DAS SETE PALAVRAS MILAGROSAS

O homem vale tanto quanto o valor que dá a si próprio.
François Rabelais


Vivemos em tempos de crise. A economia em colapso, as relações políticas em ruínas, guerras, fome, aquecimento global e tantos outros elementos componentes do pacotinho de ruindades que nos assaltam, a cada minuto, através dos meios de comunicação. Mas afinal, qual o motivo da crise? Não sei, mas desconfio de alguma coisa. A crise não têm vida própria. Ela existe por que a criamos e damos significados a ela. Na verdade, tempos de parar de transferir os significados das crises que enfrentamos para instâncias míticas que parecem tão distantes de nós. Não é a economia que está em crise, nem ao menos a política. Somos nós, humanos. Fomos nós que criamos a economia e a política, somos nós que fazemos guerra e interferimos no clima. Se assim estamos é por culpa nossa. Que fazer? Bem, se estamos assim é porque deixamos para trás alguns valores que nos unem, em favor de outros tantos que nos separam.
Não vou fazer aqui uma lista comparativa desses valores, mas proponho um milagre social. O milagre da recuperação de sete valores mágicos que acredito como potenciais fatores capazes de nos ajudar a superar a crise na qual nos inserimos e que parece não ter mais saída. Trata-se de uma proposta simbólico-poética, em que por meio de sete palavras (poderiam ser dez, vinte, quinhentas, escolhi o número sete por toda a mitologia que este carrega consigo), aplicadas a nossa vida cotidiana, tentaremos escapar à tristeza da crise rumo à esperança de tempos melhores.

Segue o poema, não se trata de uma fórmula para a mudança, mas de uma descrição poética, em forma de tercetos, do impacto que estas palavras podem significar nos espaços entre um silêncio e outro no nosso cotidiano.


Brevilóquio das sete palavras milagrosas

I – Alegria

Sorriso no espelho
Abraço no meio
Cama no fim do dia

Primeiro desejo
Rara, diáfana, única
Saudade perfeita da eternidade


II – Amor

Amar, mesmo na distância
Apesar do ódio
Inclusive na diferença

Ainda que não ame
Desesperadamente
Até que só reste amor.


III – Doação

Calar a misantropia
Ter menos
Para ser mais

Repartir o ouro
Acender incenso
Espalhar a mirra


IV – Esperança

Cordel do sonho
Berço do futuro
O agora olhando longe

Mitologia pessoal
Real que ainda não é
Outro nome para a fé


V – Fraternidade

Um pedaço de ti
Em cada coisa
E em toda gente

Um pedaço de cada coisa
E de toda gente
Em ti.


VI – Humildade

Chorar a lágrima sentida
Ir, no tempo da partida
Desculpar-se do erro

Pedir a benção,
Abraçar com coragem
Cair, levantar


VII – Ternura

Silêncio que anima
Barulho que acalma
Coração a caminho

Cofre de afetos
Milagre sem mística
Chave do outro


Pax Tecum Amicis

Até a próxima

PS: Na imagem do post, uma versão palestina para o famoso cartaz da campanha presidencial de Barack Obama, onde se lia Hope (esperança) nalgumas versões e Progress (progresso) noutras.

31 comentários:

  1. Olá amigo, gostei muito do texto e da mensagem passada por ele.

    Continue assim, o blog está muito bom.

    --

    http://cabaretdevenus.blogspot.com
    -

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  2. Gostei da versao palestina da foto..
    a crise creio eu que foi produzida pelos magnatas das industrias economicas, eles lucram com isso, quando a crisse acabar eles iram multiplicar os ganhos com os bancos que eles compraram e alegaram que era para o "resgate" de tais.

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  3. opa, muito bom o blog...
    já sou seguidor...
    o meu é do mesmo estilo, mais sério...
    depois dá uma olhada?vira seguidor se gostar...
    desculpa a importunação, começo de blog...
    abraço
    http://perguntasociosas.blogspot.com/

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  4. ótima sacada essa imagem.
    o texto tá muito bom rapaz.
    gostei do espaço.

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  5. A foto tudo a verrr, é uma ótima critica!! não tinha visto nada parecido

    bjos
    http://carolinedecastro.wordpress.com/

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  6. Show cara
    nos faz pensar bastante...

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  7. parabens pelo blog!!!
    achei bacana...



    abraço!!

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  8. Nossa, escreves de forma admirável, minhas sinceras palavras, espero um dia conseguir escrever um texto com tal método lógico, e conclusivo como você escreveu este.
    A crise é resultado de nosso carater, de nossa ganacia, e de nossa estagnação perante mudanças.
    Belo texto, belo blog.
    Sucesso.

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  9. interessantes as "palavras milagrosas"...
    boa iniciativa, pois, acho também, que todas as situaçõesvivenciadas são resultantes de um círculo que comença pelo sentimento que vira pensamento que se concretiza através de palavras e/ou atitude.

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  10. De uma pecualiridade fantástica suas idéias e a forma com as traduz em palavras. Muito boa a crítica e melhor ainda os setes pontos milagrosos que citou, se encaixam e fazem sentido.
    Parabéns pelo blog rapaz!
    Beijo.
    Paz e luz pra você.

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  11. Mas que blog mais interessante, charmoso e inteligente! Virei fã!
    Sobre a proposta "milagrosa", acho que essa é a real crise: valores, ética e sobretudo de crença que somos capazes de mudar, de fazer melhor, de usar nosso potencial para o bem.
    Bom findi!

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  12. a crise de um certo modo é psicológica,talvez.....http://memoriasdeigor.blogspot.com/

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  13. COMPLETO!
    Particularmente, não acrecentaria nem msm uma vírgula!
    *Sem mais*
    ^^"

    http://adytaness.blogspot.com/

    [ Visite-o ]

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  14. Belo texto, Adriano. Concordo com essa injeção de ânimo. Acho que as vezes todos nós somatizamos coisas que deveriam passar ao largo. A vida tem a dramaticidade que nós mesmos imprimimos.

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  15. Gostei bastante sobre o assunto. Você sabe falar muito bem. O Blog está muito bom mesmo cara.

    Parabéns

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  16. MUITO bem pensado.


    Ah, o ser humano...

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  17. Que Lindo e Verdadeiro esse texto, Lindo pq fala a realidade. Esse blog é demais e o autor muito inteligente.

    http://eitavidameu.blogspot.com/

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  18. Seu blog é mesmo cheio de entrelinhas. Já é a segnda vez que passo por aqui e sempre uma boa novidade. E, dentre essas sete mágicas palavrinhas, fico com o Amor (no momento) e com a Alegria (para o resto da vida).

    Isso já não seria o suficiente para preencher uma vida?
    (Quase falei como Dostoievski agora).

    Logo, só passa por crise quem assim pretende...

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  19. Mto baoooooooooooooooooooooooooo


    gostei mto cara...

    vou acompanhar seu blog

    www.colunasdehercules.blogspot.com

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  20. muito bem colocado a idéia sobre as pavras. adorei o blog e o texto :D

    abraços mendigosos

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  21. Olá, Adriano!

    Costumo dizer a quem me pergunta do livro que sua característica marcante é possuir um protagonista cuja sinceridade, ironicamente ou não, cativa.
    Mas rapaz, porque tanto tempo sem relê-lo? Bem sabes que valeria a pena.

    No mais, não posso passar batido sem deixar claro o apreço pelos seguintes fragmentos:

    Não é a economia que está em crise, nem ao menos a política. Somos nós, humanos. Fomos nós que criamos a economia e a política, somos nós que fazemos guerra e interferimos no clima. Se assim estamos é por culpa nossa.e

    IV – Esperança"Cordel do sonho"

    Abraços!
    E obrigada pela visita.

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  22. Gostei muito da postagem realmente, as pessoas querem tirar as culpas de si e transferir para o resto. Nessa crise foi gasto dinheiro suficiente pra acabar com a fome MUNDIAL, ou seja, eles podem, mas não fazem, e quem criou isso fomos nós! Primeira vez que venho ao seu blog, obrigada pelo comentário no meu e passe por la para ver o novo pos se quiser! Beijoos!

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  23. inda bem que não fui eu quem inventou a economia, ou estaria envergonhada agora...

    ótimo texto!

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  24. Olá
    Adorei o texto e acrescentaria também a palavra perdão.
    Quando há perdão sincero um vácuo se abre para que novas coisas aconteçam nas nossas vidas.
    Esperança ( muito bem colocado ) e fé - é fácil falar, mas quem realmente tem?

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  25. Olá Adriano, amei o seu blog, muito bom mesmo. Adorei a versão palestina da foto. Há,recuperei o tópico dos mini-contos, lá na comunidade de João Guimarães Rosa, vá lá ver, e participe!

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  26. eu gosto disso e acho bem verdade...

    sempre tive raiva qdo ouvia a musica: que país é esse e as pessoas respondiam: é a porra do Brasil...

    se nosso país de fato é isso, o que é o povo?

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  27. "O homem vale tanto quanto o valor que dá a si próprio." = Sensacional!

    Gostei muito do estilo e das escolhas para temas dos posts!
    =)

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  28. Uau.
    Além de escrever super bem, retratou perfeitamente o momento pelo qual a humanidade está passando.
    Simplesmente incrível, sinto-me lisongeada por você ter gostado da minha postagem (não sei se se lembra: "O momento que precede o beijo").
    Já virei seguidora. E... Parabéns, de verdade. Gostei muito.

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  29. oi Gosto muito dos seus textos por isso venho sempre por aqui!!!!

    Gostei muito do poema que mostra a intenção de salvar o homem do lobo do homem!!!!

    Ps: Poema novo no meu blogger qualquer coisa passa lá

    www.gugaoliveira.blogspot.com

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Comente à vontade, contanto que prime pelo bom uso do imperativo categórico Kantiano: "Não faça com os outros que aquilo que você não gostaria que fosse feito com você";. Assim Seja. Pelos Séculos dos Séculos. Amém.